terça-feira, 21 de abril de 2009

Privatizem os Cieps

Privatizem os Cieps.
Antenor Barros Leal

A idéia do Governador Brizola de criar os Cieps foi criticada tanto pelas elites, quanto pelas oposições de plantão. Eram argumentos pífios e não resistiram às respostas inteligentes do gaúcho. Inteligentes, mas sem foco na realidade. Eram apenas divertidas. O Governador era engraçado e sempre fazia rir com seus discursos contra as forças internacionais, inimigas do crescimento do Brasil. Sua verve e seu charme serviram para encobrir um erro histórico, de gravidade maior do que o dinheiro que ele gastou. Ele imaginava fazer escolas modernas, de tempo integral. Fez elefantes sujos, pichados e abandonados. Para quem gosta de calcular “custo X benefício”, esse projeto é uma prova inconteste da potencialidade dos governos de gastar mal os recursos arrancados da população.
O erro continua. E é uma obrigação inerradável da população fluminense encontrar um destino digno para esses prédios que poderiam, e muito, servir ao futuro do nosso estado. Eles precisam ser transformados em ferramentas importantes para a nossa sociedade. Só o serão através da privatização. Os prédios deveriam ser vendidos para a instalação de escolas particulares, com pagamento através de bolsas destinadas a crianças pobres. Algumas das instalações deveriam ser destinadas exclusivamente a escolas profissionalizantes. Por exemplo, os cieps situados nos municípios alcançados pela extração de petróleo, deveriam ser escolas técnicas para formar pessoal de nível médio para as atividades mais afins da região. Na região de turismo, também, e assim por diante.
O preconceito contra as escolas públicas é perfeitamente compreensivo. Elas não ensinam, os alunos não aprendem e os recursos governamentais são destruídos da forma mais dramática. Quantas escolas tem o município do Rio de Janeiro? Não faz nenhuma diferença. Todos seus alunos gostariam de estudar em escolas privadas. O Rio de Janeiro é recordista nacional em número de escolas, alunos, professores, funcionários de apoio, despesas de material, merenda e, evidentemente, em quantidade de escolas.
Porque o governo tem que ter escolas? Porque não oferece bolsas a alunos pobres para que possam estudar em escolas particulares que os preparam melhor para enfrentar a vida? Porque tantos funcionários burocráticos quando poderiam ter apenas experts em educação, examinando a qualidade de ensino?
A escola publica no Brasil não tem mais jeito. Continua a fazer o jogo sujo das elites políticas dominantes, sendo instrumento fundamental para quem não quer educar a população. Seriam eles eleitos, se educados fossem os eleitores? Não. Um NÃO sonoro.
Certamente a reação à proposta de privatização vai ser a mesma catilina de tantos anos. Vão dizer que apenas os ricos estarão nas escolas. Que os pobres não terão vez. Como se agora, tivessem.
Lembro perfeitamente dos que eram contra a mudança na lei dos aluguéis imobiliários, a famosa “do inquilinato”. Os capitalistas querem explorar os pobres. Vão para as favelas os da classe média. Tubarões. Gananciosos. Ladrões. Era o discurso dos verdadeiros exploradores, dos enganadores de sempre. Com o fim da falsa lei, que beneficiava privilegiados e punia a maioria, nunca teve tanto imóvel para alugar e a preços tão baixos.
Privatizar os CIEPS é medida imediata, urgente. Mas corajosa. De quem tem fé no País. O resultado da decisão será sentido de pronto. A partir daí será possível sonhar com o fim de todas supostas escolas públicas (nunca verdadeiramente públicas, sempre de “alguém”, que delas tira proveitos, votos e vantagens ilegítimas), para que, através de bolsas de estudos, distribuídas universalmente, possamos realmente sonhar que todas crianças, pobres ou ricas, terão um ensino digno, à altura da necessidade do futuro de cada uma. Todas estarão estudando em escolas particulares. Sem preconceito, sem distinção, sem privilégios.
Não fazer nada no sentido de otimizar o uso dessas ferramentas já construídas, existentes, arquitetônicamente bem imaginadas, será crime igual ao da sua criação. Não fazer, por medo de críticas irresponsáveis, será uma demonstração de fraqueza e falta de patriotismo.
Vice Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

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