sábado, 31 de março de 2018

Nem com a China aprendemos...

"A burrice não tem fronteiras ideológicas”. Roberto Campos


Os dados recentes da economia chinesa mostram, bem claro, a falácia da intromissão estatal nas atividades de mercado. De inicio foi tudo muito bom. Desde o reconhecimento americano de que a China, por interesses geopolíticos, deveria receber tratamento tarifário especial, até o emocionado encantamento de alguns esquerdistas propagando a supremacia do modelo chinês, parecia que o mundo estava mudando definitivamente.

O domínio dos gringos acabou, festejavam muitos. Sem se preocuparem com as condições de trabalho, com as isenções de impostos e as enormes cargas de subsídios concedidas à produção industrial. Bastavam a eles a grandiosidade dos números. Com a falta de liberdade, de imprensa, de leitura, de organização política e de manifestação do pensamento, também não.

Como a historia passa por cima de sonhos e de convulsões ideológicas, a realidade está chegando aos poucos. E a bolsa cai. A moeda é desvalorizada. O estado intervém mais uma vez. A bolsa cai novamente. Ou sobe para cair depois. A sobrevivência no mercado mundial depende de inovação, de qualidade, de prestação de serviços, de tradição e de talento. Disto eles cuidaram. Melhoraram a educação, investiram em pesquisa, fizeram estradas e portos. Só falta a liberdade. Se a mão do estado resolvesse este tipo de problemas a Russia estaria ótima. E o Brasil também.

Em se falando de Basil é bom comentar, em linguagem cidadã, inteligível, que algumas verdades repetidas atualmente tem mais de meia do que de inteira. Sobre o cambio dizem que a desvalorização do real estimula as exportações. Só fala isso que nunca trabalhou no mercado internacional. Hoje qualquer importador, ao saber do reajuste do cambio, comunica a necessidade da redução do preço em dólares. Por WhatsApp. Nem gasta uma ligação. Na verdade o encarecimento do dólar, apenas reduz as importações, encarece as mercadorias importadas (ou as fazem desaparecer) e, isto sim, dá uma acelerada na inflação que, por sua vez, ajuda aos mais ricos, com sobra para usufruir dos juros altos e penaliza os mais pobres que destinam a maior parte do que ganham para a sobrevivência do dia a dia. No máximo melhora a balança cambial… Ah, ah, como  a ideologia é burra. O dinheiro é uma mercadoria como outra qualquer. Se quer que a sua seja valorizada, se organize como um país sério, com infra-estrutura de estradas, de água limpa e esgotos, de portos, de educação, de inovação, produzindo tecnologia avançada e disputando o duro mercado internacional, onde as bravatas não servem pra nada.

A burocracia brasileira é sim é do primeiro mundo. Às avessas. A estrutura poderosa e com imensa capacidade de corromper transforma, por exemplo, o pagamento de impostos numa aventura descomunal. Ao pequeno e médio empresário, às vezes, o custo burocrático é maior do que o imposto a pagar, sem falar que ele não entende o que o contador lhe diz. Contratar um trabalhador significa mais compromissos de futuro do que as preocupações de pagar um bom salário. Treinar o empregado é risco econômico grave, pois se bom poderá pedir para "ir embora” e se não prestar, também. A legislação trabalhista estimula a rotatividade, prejudicando a eficiência.

Sem a produção de conhecimento, sem inovar, sem criar novos produtos continuaremos a importar da China, (que ia nos salvar de todos os problemas e da dependência dos ianques) carros, maquinas e computadores, com preço médio de dois mil e quinhentos dólares a tonelada, Daqui pra lá  exportaremos o mesmo “café”, agora, minério de ferro, soja ou carne, com valor médio de duzentos e cinquenta dólares. A diferença é tecnologia. Vocês se lembram do Mantega dizendo que o dólar ia desaparecer e nós usaríamos o real ou o yuan? 

Uma coisa nos falta: copiar o que presta. Uma que sobra: copiar o que não serve. Educação: quem sai da faculdade sabendo mais? Um engenheiro formado em 1970 ou um formado hoje? Um médico de hoje ou de ontem?

A Coreia do Sul, em 1950, estava na rabeira do mundo. Hoje “hiundaiza" o planeta. A Alemanha do pós-guerra ou o Japão depois de Hiroshima mostram à humanidade como um povo, fazendo o certo com visão de futuro, com democracia verdadeira, pode oferecer justiça e dignidade.
Copiar com fidelidade é difícil. Mas dá resultados. Da Venezuela, da Argentina dos kirchners, da Bolivia ou de Cuba só nos sobra sofrimentos.
                                            Antenor Barros Leal  







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