Felizmente o mundo acordou para discutir abertamente esta insanidade praticada com relação ao controle das drogas. Associada a isto vem a indagação do limite que é dado pelos cidadãos a funcionários em Brasilia ou Washington para impor limites e barreiras ao comportamento de qualquer pessoa. Você só pode comprar um remédio de tarja preta se tiver uma receita. Se precisar, às duas horas da manhã, sem aquele papelzinho do médico, não há jeito de comprar. A não ser que tenha um "amigo” na farmácia. Se você consumir na festa de aniversario do neto um bombom com licor, será preso na Lei Seca. Mas se tiver cheirado cocaína ou fumado maconha, com um tira-gosto de ecstasy, vai passar incólume. O poder da burocracia ou dos bem intencionados para nos “proteger" é imenso.
No problema DROGAS a regulamentação atual é um escárnio à lógica. O consumo só aumenta. Portanto está liberado. É mais ou menos como jogo do bicho, que continua, acreditem, proibido. Setecentos por cento em dez anos, dizem os estudiosos. Os traficantes ficam mais poderosos e ricos. E inocentes morrem aos montes.
A Drug Enforcement Agency, a famosa DEA, o órgão controlador das drogas dos USA, declarou,em seu site, recentemente, que os americanos gastaram com cocaína, heroína, maconha e comprimidos, no ano passado, a modesta soma de sessenta e quatro bilhões de dólares, bilhões, mesmo, com B. E não tiveram vergonha de publicar que apreenderam o equivalente a um bilhão, apenas. É a estupidez lida em moeda.
A atividade DROGA é um negócio como outro qualquer. Vamos lá: se um simples mortal precisar de cinquenta mil reais, em cash, será necessário avisar a seu banco com dois dias de antecipação. E o gerente ainda vai chama-lo para assinar um documento especial para mandar para a receita Federal. Como comprar uma tonelada de cocaína? Como se leva um milhão de dólares para a Bolivia, Colombia ou Peru, em CÉDULAS, verdadeiras, sem um cara entendido de finanças e que tenha bons relacionamentos no mercado? Um diretor financeiro? Como transportar esta baba de dinheiro sem alguém que entenda profundamente de logística? Um diretor de logística? Quem vai examinar o produto comprado? A qualidade é realmente a negociada? Um químico? Agora, com o produto nas mãos, já testado, precisamos de uma pessoa para juntar
ao Diretor de Logística, pois o mercado está esperando. Um diretor de Transportes, conhecedor
das estradas, dos aeroportos legais com "galhos" quebrados, das pistas de propriedade das
“empresas" concorrentes ou alugadas, dos portos, de mar e rios, onde pequenos barcos podem chegar sem problemas, dos horários em que o policiamento está mais presente ou os presentes que recebem agrados.
Produto comprado, testado, transportado. Chegou ao destino. Vamos dizer o Rio de Janeiro. O Diretor Comercial, o cara que lida com os compradores intermediários, que pagam antecipado, com dinheiro contado, sabendo o estoque disponível e a quantidade para cada um deles, aciona seu sistema de distribuição. A ponta de tudo, o menos importante, mas em maior número, aparece agora: o vendedor, o cara que enfrenta as durezas do policiamento, a incerteza da volta, a briga pelos pontos mais procurados pela clientela e, às vezes, disputados, a tiros pelos concorrentes ou vigiados pela policia. A cobrança dispensa advogado. Quem não paga, dança. No baile da morte.
O Diretor Comercial impressionou o chefe quando, numa reunião de “acionistas”, fez um speech de natureza comercial: já temos cocaína e ecstasy para os ricos, maconha para os da classe média e não podemos abandonar os mais miseráveis que formam um grande nicho de consumo. E dirigindo o olhar aos diretor químico, pediu: Desenvolva um produto barato, pois sou um CRACK de vendas. E aí surgiu a cracolândia tão badalada pelos jornais, atendendo aos miseráveis mais miseráveis e engordando, mais ainda, a bolsa dos produtores.
Já a impressionante Diretoria de Marketing tem atuação global. No ano passado, um filme sobre Wall Street mostrava cenas de consumo de tudo que é droga. Da primeira à ultima cena, os espectadores viam artistas glamourosos cheirando cocaína, fumando maconha, solvendo comprimidos milagrosos, tudo apimentado com lindas mulheres. Uma outra produção, hollyudiana, cujo título recomendava "não olhar para trás", foi financiada, provavelmente, por uma cadeia de hotéis, uma fábrica de automóveis e “why not” pelo sistema da World Drug Corporation, pois os artistas não davam um só passo sem antes dar uma cheirada e acender um baseado. Com carreira, charme e tudo mais.
Uma overdose matou uma cantora inglesa ou um ator americano. As manchetes esperneiam. Morrem mais de sessenta mil, só no México, entre traficantes, policiais (honestos e corrompidos) e inocentes. Não tem qualquer importância. Quantos jovens, por uso ou porte, superlotam as miseráveis prisões brasileiras, tornando-se alunos da bandidagem? Quantas crianças são usadas como “aviões” e tem destruidos seus futuros?
Estamos enfrentando profissionais bem pagos, organizados e com metas a cumprir. Somos amadores. Uma profunda revisão no conjunto de leis que tratam dessa importante matéria precisa ser feita imediatamente. A não ser que se queira perpetuar uma atividade que cresce a olhos vistos, apesar de milhares de pessoas bem intencionadas, imaginarem que o modelo de “combate" possa trazer algum resultado.
Felizmente, parece que acordamos.
Antenor Barros Leal

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